segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

CÁRCERE OU PORQUE AS MULHERES VIRAM BÚFALOS FAZ

 www.artedoentretenimentosp.blogspot.com 

CÁRCERE OU PORQUE AS MULHERES VIRAM BÚFALOS

“A dor é minha só, não é de mais ninguém”! Só a mãe sabe a dor  que é vê um filho preso injustamente e não adiante vir com essa de empatia, querendo se comover com uma das experiências mais dilacerantes que o coração humano pode suportar. Em busca de proteção, da impotência que assola, que a deixa de mãos atadas, ela não se esquiva e sempre ganha forças para  que a esperança seja seu principal alimento. Nesse ínterim, o sistema carcerário envolto da ancestralidade serve como ideia central na narrativa irretocável da multifacetada dramaturga premiada DIONE CARLOS, que com investigação, pesquisa, sabedoria e empoderamento, imprimi talento e qualidade inquestionável em sua escrita, apresentando bons conflitos, diálogos fluentes que se transformam em boas ações dramáticas, sendo um exercício fantástico para que os atores criem seus personagens e se entreguem com todo esplendor, encantando a todos os espectadores, pois esses não se contentam em prestigiar uma só vez, retornando e trazendo consigo outros amantes do bom teatro.

Imagem: Arte do Entretenimento

Prestigiar o premiado espetáculo da brilhante companhia TEATRO HELIÓPOLIS que volta em cartaz em curta temporada na CASA DE TEATRO MARIA JOSÉ DE CARVALHO no bairro Ipiranga, é um compromisso particular. Vale cada segundo se enveredar  nas histórias de vida de cada personagem, das dores, anseios e angústias da mãe que não abandona o seu filho jamais, estabelecendo laços de afetividade e muita conexão com o público, ressaltando carisma e por fim, criando uma ponte emocional com o espectador.

 
Imagem: Rick Barneschi, Tiggaz

No elenco ANTÔNIO VALDEVINO, DALMA RÉGIA, DAVI GUIMARÃES, ISABELLE ROCHA, JEFFERSON MATIAS, JUCIMARA CANTEIRO, PRISCILA MODESTO, VITOR PIRES E WALMIR BESS, artistas que chamam atenção pela entrega plausível, pelo preparo físico, corporal e a interpretação eloquentemente a flor da pele, transcende de encanto, dispensando tecer comentários particulares, pois todos tem o seu momento protagonismo, somando nas intervenções coletivas qualidade inquestionável.

Não à toa, recebeu merecidamente em 1922, o Prêmio APCA (Dramaturgia; indicado também em Direção), Prêmio SHELL de Teatro (Dramaturgia e Música; indicado em Direção) e VI Prêmio Leda Maria Martins (Ancestralidade), além de ter sido relacionado entre os Melhores Espetáculos do Ano pela Folha de São Paulo e batalhar pelo ingresso gratuito vai fazer muito bem ter um pouco de reflexão, empatia e ter um olhar para o ser humano e para as intempéries que recai sobre a humanidade.

 “A montagem aborda a forte presença feminina no contexto do cárcere. O enredo parte da história das irmãs Maria dos Prazeres e Maria das Dores, cujas vidas são marcadas pelo encarceramento dos homens da família: primeiro, o pai; depois, o companheiro de uma; agora, o filho da outra. Dentro do presídio, o jovem Gabriel - que sonha em ser desenhista - aprende estratégias de sobrevivência para lidar com as disputas internas de poder e a falta de perspectivas inerentes ao sistema carcerário. Naquele microcosmo a violência dita as regras e não poupa os considerados fracos ou rebeldes. Fora dali, em suas comunidades, as mulheres - mães, esposas, filhas, afilhadas - buscam alternativas para tentar romper os ciclos de opressão que as aprisionam em existências sem futuro.”

A carga dramática é amenizada com a inserção da dramaturgia da dança, que se mostra necessária para dar leveza a contundente narrativa e um respiro para o espectador que inevitavelmente tem seu momento de fraqueza ao ser imbuído de emoção a cada cena. 

Imagem: Rick Barneschi, Tiggaz

O espetáculo também mostra que os saberes ancestrais resistiram à barbárie e atravessaram os séculos nos corpos, nas vozes e nas crenças das/dos africanas/nos que, escravizados/as, fizeram a travessia do Atlântico. Iansã, Rainha Oyá, a deusa guerreira dos ventos, das tempestades e do fogo não abandonou o seu povo. Ela permanece iluminando caminhos e inspirando fabulações para que seus filhos e filhas experimentem, por fim, a liberdade. 

Vale a pena conferir! 

FICHA TÉCNICA  

Encenação: Miguel Rocha. 

Assistência de direção: Davi Guimarães. 

Texto: Dione Carlos. 

Direção musical: Renato Navarro. 

Assistência de direção musical: César Martini. 

Musicistas: Alisson Amador (percussão), Amanda Abá (violoncelo), Denise Oliveira (violino) e Victoria Liz (viola). 

Cenografia: Eliseu Weide. Iluminação: Miguel Rocha e Toninho Rodrigues. 

Figurino: Samara Costa. 

Assistência de figurino: Clara Njambela. 

Costureira: Yaisa Bispo. 

Operação de som: Lucas Bressanin. 

Operação de luz: Alex Duarte.  

Cenotecnia: Wanderley Silva. 

Provocação vocal, arranjos e composição da música do ‘manifesto das mulheres’: Bel Borges. 

Provocação vocal, orientação em atuação-musicalidade e arranjos - percussão ‘chamado de Iansã’: Luciano Mendes de Jesus. 

Estudo da prática corporal e direção de movimento: Érika Moura. 

Provocação cênica: Bernadeth Alves, Carminda Mendes André e Maria Fernanda Vomero. 

Comentadores: Bruno Paes Manso e Salloma Salomão. 

Mesas de debates: Juliana Borges, Preta Ferreira, Roberto da Silva e Salloma Salomão, com mediação de Maria Fernanda Vomero. 

Orientação de dança afro: Janete Santiago. 

Direção de produção: Dalma Régia. 

Produção executiva: Alex Mendes. 

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena. 

Design gráfico: Rick Barneschi. 

Fotos: Rick Barneschi, Tiggaz e Weslei Barba. 

Idealização e produção: Companhia de Teatro Heliópolis. 

Estreia oficial: 12/03/2022.

Imagem: Arte do Entretenimento 

SERVIÇO: CASA DE TEATRO MARIAJOSÉ DE CARVALHO - Rua Silva Bueno, 1.533 - Ipiranga. São Paulo/SP. Tel.: (11) 2060-0318 (WhatsApp). De 19 de fevereiro a 01 de março 2026 - Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Ingressos: Gratuitos - Bilheteria:1h antes das sessões. Duração: 120 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Experimental. Reservas antecipadaswww.sympla.com.br  

Transporte público: Metrô e Terminal de ônibus Sacomã.

Instagram: @ciadeteatroheliopolis | Facebook: @companhiadeteatro.heliopolis 



Nenhum comentário:

Postar um comentário

CÁRCERE OU PORQUE AS MULHERES VIRAM BÚFALOS FAZ

  www.artedoentretenimentosp.blogspot.com   CÁRCERE OU PORQUE AS MULHERES VIRAM BÚFALOS “A dor é minha só, não é de mais ninguém”! Só a...