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CÁRCERE OU PORQUE AS MULHERES VIRAM
BÚFALOS
“A dor é minha só, não é de mais
ninguém”! Só a mãe
sabe a dor que é vê um filho preso injustamente e não
adiante vir com essa de empatia, querendo se comover com uma das experiências
mais dilacerantes que o coração humano pode suportar. Em busca de proteção, da
impotência que assola, que a deixa de mãos atadas, ela não se esquiva e sempre
ganha forças para que a esperança seja
seu principal alimento. Nesse ínterim, o sistema carcerário envolto da
ancestralidade serve como ideia central na narrativa irretocável da
multifacetada dramaturga premiada DIONE CARLOS, que com investigação,
pesquisa, sabedoria e empoderamento, imprimi talento e qualidade inquestionável
em sua escrita, apresentando bons conflitos, diálogos fluentes que se
transformam em boas ações dramáticas, sendo um exercício fantástico para que os
atores criem seus personagens e se entreguem com todo esplendor, encantando a
todos os espectadores, pois esses não se contentam em prestigiar uma só vez,
retornando e trazendo consigo outros amantes do bom teatro.
Prestigiar o premiado espetáculo da
brilhante companhia TEATRO HELIÓPOLIS que volta em cartaz em curta
temporada na CASA DE TEATRO MARIA JOSÉ DE CARVALHO no bairro Ipiranga,
é um compromisso particular. Vale cada segundo se enveredar nas histórias de vida de cada personagem, das
dores, anseios e angústias da mãe que não abandona o seu filho jamais, estabelecendo
laços de afetividade e muita conexão com o público, ressaltando carisma e por
fim, criando uma ponte emocional com o espectador.
No elenco ANTÔNIO VALDEVINO,
DALMA RÉGIA, DAVI GUIMARÃES, ISABELLE ROCHA, JEFFERSON MATIAS, JUCIMARA
CANTEIRO, PRISCILA MODESTO, VITOR PIRES E WALMIR BESS, artistas que chamam
atenção pela entrega plausível, pelo preparo físico, corporal e a interpretação
eloquentemente a flor da pele, transcende de encanto, dispensando tecer
comentários particulares, pois todos tem o seu momento protagonismo, somando
nas intervenções coletivas qualidade inquestionável.
Não à toa, recebeu merecidamente em
1922, o Prêmio APCA (Dramaturgia; indicado também em Direção), Prêmio SHELL de
Teatro (Dramaturgia e Música; indicado em Direção) e VI Prêmio Leda Maria
Martins (Ancestralidade), além de ter sido relacionado entre os Melhores
Espetáculos do Ano pela Folha de São Paulo e batalhar pelo ingresso gratuito
vai fazer muito bem ter um pouco de reflexão, empatia e ter um olhar para o ser
humano e para as intempéries que recai sobre a humanidade.
“A montagem aborda a forte
presença feminina no contexto do cárcere. O enredo parte da história das irmãs
Maria dos Prazeres e Maria das Dores, cujas vidas são marcadas pelo
encarceramento dos homens da família: primeiro, o pai; depois, o companheiro de
uma; agora, o filho da outra. Dentro do presídio, o jovem Gabriel - que sonha
em ser desenhista - aprende estratégias de sobrevivência para lidar com as
disputas internas de poder e a falta de perspectivas inerentes ao sistema
carcerário. Naquele microcosmo a violência dita as regras e não poupa os
considerados fracos ou rebeldes. Fora dali, em suas comunidades, as mulheres -
mães, esposas, filhas, afilhadas - buscam alternativas para tentar romper os
ciclos de opressão que as aprisionam em existências sem futuro.”
A carga dramática é amenizada com a inserção da dramaturgia da dança, que se mostra necessária para dar leveza a contundente narrativa e um respiro para o espectador que inevitavelmente tem seu momento de fraqueza ao ser imbuído de emoção a cada cena.
O espetáculo também mostra que os saberes ancestrais resistiram à barbárie e atravessaram os séculos nos corpos, nas vozes e nas crenças das/dos africanas/nos que, escravizados/as, fizeram a travessia do Atlântico. Iansã, Rainha Oyá, a deusa guerreira dos ventos, das tempestades e do fogo não abandonou o seu povo. Ela permanece iluminando caminhos e inspirando fabulações para que seus filhos e filhas experimentem, por fim, a liberdade.
Vale a pena conferir!
FICHA TÉCNICA
Encenação: Miguel Rocha.
Assistência de direção: Davi Guimarães.
Texto: Dione Carlos.
Direção musical: Renato Navarro.
Assistência de direção musical: César Martini.
Musicistas: Alisson Amador (percussão),
Amanda Abá (violoncelo), Denise Oliveira (violino) e Victoria Liz
(viola).
Cenografia: Eliseu Weide. Iluminação:
Miguel Rocha e Toninho Rodrigues.
Figurino: Samara Costa.
Assistência de figurino: Clara Njambela.
Costureira: Yaisa Bispo.
Operação de som: Lucas Bressanin.
Operação de luz: Alex Duarte.
Cenotecnia: Wanderley Silva.
Provocação vocal, arranjos e composição da
música do ‘manifesto das mulheres’: Bel Borges.
Provocação vocal, orientação em
atuação-musicalidade e arranjos - percussão ‘chamado de Iansã’: Luciano Mendes de Jesus.
Estudo da prática corporal e
direção de movimento:
Érika Moura.
Provocação cênica: Bernadeth Alves, Carminda Mendes
André e Maria Fernanda Vomero.
Comentadores: Bruno Paes Manso e Salloma
Salomão.
Mesas de debates: Juliana Borges, Preta Ferreira,
Roberto da Silva e Salloma Salomão, com mediação de Maria Fernanda
Vomero.
Orientação de dança afro: Janete Santiago.
Direção de produção: Dalma Régia.
Produção executiva: Alex Mendes.
Assessoria de imprensa: Eliane Verbena.
Design gráfico: Rick Barneschi.
Fotos: Rick Barneschi, Tiggaz e Weslei
Barba.
Idealização e produção: Companhia de Teatro
Heliópolis.
Estreia oficial: 12/03/2022.
SERVIÇO: CASA DE TEATRO MARIAJOSÉ
DE CARVALHO - Rua
Silva Bueno, 1.533 - Ipiranga. São Paulo/SP. Tel.: (11) 2060-0318 (WhatsApp). De 19
de fevereiro a 01 de março 2026 - Horários: quinta, sexta e sábado, às 20h, e
domingo, às 18h. Ingressos: Gratuitos - Bilheteria:1h antes
das sessões. Duração: 120 min. Classificação: 12 anos. Gênero: Experimental. Reservas antecipadas: www.sympla.com.br
Transporte público: Metrô e
Terminal de ônibus Sacomã.
Instagram: @ciadeteatroheliopolis |
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